A acuidade visual é um dos itens mais comuns (e menos entendidos) do exame admissional. A maioria dos candidatos nunca tinha ouvido falar da tabela de Snellen antes de olhar para ela numa sala de exames, e poucos sabem por que a nitidez da visão vira parte da avaliação obrigatória antes de assinar a carteira.
A resposta está na NR-7: o teste não existe para classificar quem “vê bem” ou “vê mal” em termos absolutos, mas para confirmar se o candidato atende ao nível mínimo de visão (e, em algumas funções, de percepção de cores) exigido pelo risco daquela atividade. A acuidade visual é avaliada junto com o PCMSO, que define, função por função, se o exame de vista é obrigatório e com que frequência se repete.
O que é acuidade visual e o que significa 20/20?
Acuidade visual é a medida da nitidez com que os olhos enxergam detalhes a uma distância padronizada. O resultado costuma aparecer como uma fração, por exemplo 20/20: significa que a pessoa enxerga a 20 pés (cerca de 6 metros) o mesmo que uma visão de referência enxerga a essa distância. Quando o segundo número sobe, como em 20/40 ou 20/100, pior é a nitidez, porque a pessoa só distingue de perto o que o padrão distingue de mais longe.
No Brasil, o mesmo resultado aparece em notação decimal (1.0 equivale a 20/20) ou métrica (6/6). Abaixo de 20/200 no melhor olho, mesmo com óculos ou lentes, a legislação já classifica o quadro como baixa visão. É uma situação pouco comum num exame admissional padrão, mas que muda a condução do caso e pode envolver enquadramento como pessoa com deficiência.
Fora desse extremo, um resultado abaixo do ideal não é motivo de alarme: na maioria dos casos, o ajuste é simplesmente atualizar o grau dos óculos, algo que o próprio laudo já sinaliza para o candidato.
Como é medida a acuidade visual no exame ocupacional?
O teste usa a tabela de Snellen ou optotipos equivalentes: o trabalhador fica a uma distância fixa e lê linhas de letras ou símbolos que diminuem de tamanho a cada linha. A avaliação é feita em cada olho separadamente (monocular) e depois nos dois juntos (binocular), com e sem correção. O candidato que usa óculos ou lente de contato é testado das duas formas, para registrar tanto a visão corrigida quanto a natural.
É rápido, indolor e não exige preparo prévio. Na PVMED, o exame é aplicado por técnico habilitado no laboratório próprio, no mesmo atendimento em que o restante do exame admissional é feito, sem necessidade de agendamento separado com oftalmologista, e o resultado já entra direto no ASO.
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O teste de daltonismo é obrigatório para quais profissões?
O teste de Ishihara, criado em 1917 pelo oftalmologista japonês Shinobu Ishihara, usa placas com círculos coloridos que escondem números — quem tem alguma forma de daltonismo não consegue distinguir o número no meio das cores. O teste entra no exame ocupacional quando a função exige leitura correta de códigos ou sinalização visual coloridos. Segundo a Sanare SST, a distinção perfeita de cores costuma ser exigida em profissões como:
- Eletricistas — identificação de fiação por cor, ligado à NR-10
- Motoristas, operadores de máquinas e maquinistas — leitura de sinalização e painéis
- Trabalhadores de laboratório e indústria química — reagentes e rótulos codificados por cor
- Profissionais de design, desenho técnico e indústria têxtil — controle de cor do produto
Fora dessas funções de risco visual, o teste de daltonismo pode não ser obrigatório — quem decide é o médico coordenador do PCMSO, com base no risco real da função mapeado no PGR, não numa lista genérica de exames. Um daltonismo leve, que não compromete a segurança da atividade, normalmente não impede a contratação.
Acuidade visual baixa reprova no exame admissional?
Não automaticamente. Um resultado abaixo do esperado não elimina o candidato por si só — o médico do trabalho avalia se a limitação é compatível com a função e se existe correção simples (óculos, lente) capaz de resolver o problema antes da contratação.
O objetivo do exame não é filtrar quem “não vê bem”, e sim registrar a condição visual de entrada e checar se ela é segura para a atividade específica. Um motorista com miopia não corrigida numa função que exige boa visão à distância é um caso diferente de um analista de escritório com a mesma miopia — a decisão considera o risco real da tarefa, não apenas o número do laudo. Esse registro também protege o trabalhador: se uma limitação visual já existia antes da contratação, fica documentada, o que evita disputa futura sobre a origem do problema.
Quando a PVMED pede acuidade visual e teste de daltonismo: admissional, periódico ou os dois?
A acuidade visual entra, via de regra, em todo exame admissional — é rápida e barata o bastante para não haver motivo de dispensa. Já o teste de daltonismo é direcionado às funções listadas no PCMSO como de risco visual relevante.
A repetição segue a periodicidade da NR-7: anual para menores de 18 e maiores de 45 anos, ou para quem está exposto a risco ocupacional específico independentemente da idade; bienal para os demais trabalhadores. O médico do trabalho responsável define, caso a caso, se algum profissional precisa de reavaliação em prazo menor — por exemplo, após queixa de piora da visão.
Toda indicação de exame complementar segue o risco definido no PGR e no PCMSO da empresa; a validação de qual função exige acuidade visual ou teste de daltonismo é responsabilidade do médico do trabalho coordenador. Se sua empresa ainda não tem essa definição por função, o WhatsApp da PVMED é o próximo passo: (21) 2391-2500.

